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Celular e Trânsito: O que você pensa sobre isso?


Fato: o trânsito da manhã em uma cidade que é caótica, como São Paulo, todos já sabem. Na minha frente, uma SUV, parada no farol. Abriu o farol e ele são andou. Buzinei e ele se moveu. Farol seguinte a mesma coisa. Buzinei e ele se mexeu e fez um gesto de impaciente. Terceiro farol a mesma coisa. Percebi que ele estava mexendo no celular. Buzinei novamente, e ele andou. Parei do lado dele no próximo farol, abri o vidro e ele fez o mesmo. Antes que eu falasse alguma coisa ele disse: “Tá com pressa? Sai mais cedo de casa.” Em seguida, fechou o vidro.


Tenho certeza que um fenômeno tem exacerbado os desafios enfrentados diariamente no trânsito: o uso do celular ao volante. Essa prática, embora comum, carrega consigo implicações profundas que tocam as esferas da ética e da moral, refletindo não apenas na segurança viária, mas na essência de nossa convivência social.


A moral, entendida como o conjunto de regras e normas que são aceitas em determinada cultura ou sociedade, é clara ao categorizar o uso do celular ao dirigir como uma conduta inadequada. No Brasil, essa prática é ilegal, configurando-se não apenas como uma infração às leis de trânsito, mas como um desrespeito à ordem social estabelecida. Nesse sentido, ao decidir utilizar o celular ao volante, o indivíduo não apenas viola normas jurídicas, mas também ignora um consenso moral sobre o que é considerado comportamento adequado no trânsito.


Por outro lado, a ética, com sua busca pelo bem comum e pela justiça, nos convida a refletir sobre as consequências de nossas ações. Ao desviar a atenção do trânsito para responder uma mensagem ou atender uma chamada, o motorista coloca em risco não apenas a sua própria vida, mas a de todos ao seu redor. Aqui, a questão transcende a mera ilegalidade ou conformidade com normas externas; trata-se de uma falha em reconhecer o valor intrínseco da vida humana e o respeito que devemos uns aos outros.


A ética no trânsito, portanto, não se resume a seguir leis; ela se manifesta na consciência de que cada decisão ao volante tem o potencial de afetar vidas. Nesse contexto, o uso do celular enquanto se dirige emerge como um exemplo flagrante de negligência para com o bem-estar coletivo. Essa prática não só demonstra uma falta de responsabilidade individual, mas também revela uma desconexão com os princípios  éticos fundamentais que deveriam orientar nossas ações.


Um dos aspectos mais perturbadores dessa prática é a maneira como ela afeta o fluxo do trânsito. Alguns motoristas, tão absortos em suas mensagens ou conversas, não percebem quando o semáforo abre, exigindo que outros condutores recorram à buzina para alertá-los. Outros diminuem consideravelmente a velocidade, muito abaixo do limite estabelecido pela via, criando situações de risco e frustração para todos ao seu redor. Esses comportamentos não apenas atrapalham o trânsito, mas refletem uma falta de consideração pelo tempo e pela segurança dos demais.


Além disso, em uma era marcada pela hiper conectividade, é imperativo questionar: o que nos leva a valorizar tanto a imediatidade da comunicação virtual em detrimento da segurança e da vida? Esse comportamento reflete uma cultura mais ampla de urgência e imediatismo, que muitas vezes nos impede de avaliar as consequências reais de nossas escolhas.


Portanto, é crucial que repensemos nossa relação com a tecnologia e com o espaço compartilhado do trânsito. Precisamos cultivar uma ética de respeito mútuo, responsabilidade e empatia, reconhecendo que cada momento de distração ao volante é uma falha em nossa obrigação coletiva de proteger a vida e a dignidade humana.


Ao debater sobre o uso do celular ao dirigir, não estamos apenas discutindo regras de trânsito; estamos refletindo sobre o tipo de sociedade que queremos ser. Uma sociedade que valoriza a vida e a segurança acima de tudo, ou uma que se rende à pressão constante da conectividade, mesmo à custa de princípios éticos e morais fundamentais? A resposta a essa pergunta definirá não apenas o futuro do trânsito em nossas cidades, mas o próprio caráter de nossa convivência coletiva.


E você? Já passou ou provocou isso no trânsito?


Xiko Acis | Provocador

+55 11 96466-2184

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