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Ponto de Não Retorno (Parte:02)


Algumas pessoas me escreveram, pedindo que eu explicasse de forma mais didática o Ponto de Não retorno. Aqui vai.

O conceito:

O conceito acadêmico de ponto de não retorno refere-se a um limite crítico ou um ponto em um processo ou sistema a partir do qual uma mudança irreversível ou uma série de eventos inevitáveis ocorrem. Esse termo é frequentemente utilizado em diversas áreas, como ciências ambientais, física, economia, psicologia, filosofia entre outras.


Por exemplo, em um contexto ambiental, o ponto de não retorno pode ser alcançado quando as atividades humanas causam danos irreversíveis a um ecossistema, tornando-o incapaz de se regenerar. Da mesma forma, em questões éticas e morais, o ponto de não retorno pode ser atingido quando uma pessoa ou grupo de pessoas realiza uma ação que viola princípios éticos fundamentais ou transgride normas morais de maneira tão grave que não há possibilidade de retorno ao estado anterior de integridade moral.


Principais problemas:

Há vários Pontos de Não Retorno na atualidade, para mim, os mais complexos são:

  • Mudanças Climáticas

  • Desigualdade Social 

  • Instabilidade Política 

  • Ética e Moral


Para detalhar um pouco mais para as pessoas que me escreveram, vou falar sobre Ética e Moral, em dois contextos: individual e empresarial. Os demais Pontos de Não Retorno, estão descrito no texto: “Pontos de Não Retorno – Parte:01”, com o link no final deste texto.


Individual - Traição

Imagine uma pessoa, com um matrimônio estável há mais de 10 anos, com filhos e uma vida regrada, sem ter cometido nenhuma quebra de confiança durante o relacionamento.


Essa pessoa é convidada para um evento de aprendizagem que acontecerá em um hotel, com outras pessoas da empresa em que trabalha, durante 4 dias.


No terceiro dia do evento, a empresa fez uma confraternização, promovendo um jantar especial com comidas e bebidas para todos. Tudo normal e cotidiano até agora.


Durante o jantar descontraído, a pessoa em referência, começa a trocar olhares com uma outra, também comprometida, “pintando uma clima” como dizemos no jargão popular.


Nesse momento, o “destino” apresenta um Ponto de Não Retorno que, se seguir em frente poderá haver consequências irreparáveis para as duas pessoas.


Juízo Ético e Moral: Do ponto de vista da moralidade, há de se verificar quais são os combinados da empresa em relação a esse tipo de situação. A empresa permite? O que o Código de Conduta da empresa estabelece sobre relacionamentos entre funcionários? Há consequências explicitas?


Do ponto de vista ético é mais grave. Avançar esse Ponto de Não Retorno é completamente antiético. A traição é grave e poderá transformar essa aventura em algo nefasto para as duas pessoas. A quebra de confiança implícita no relacionamento de tanto tempo pode causar sofrimento para todos. Refletir sobre isso, antes de passar dos limites, recuando é o melhor caminho.


Empresarial – Sonegação

Imagine um empresa, constituída há muito tempo, com fábrica e com inúmeros funcionários que sempre agiu de acordo com as leis vigentes, procurando nadar corretamente com todos os stakeholders. A empresa não está mal mas, mês sim e mês não, passa por dificuldades de caixa, por vezes comum no segmento que atua. É mais um problema de competência e gestão do que qualquer outra coisa. Como o dono é centralizador, as decisões importantes para melhoria de performance demoram ser implementadas.


Um vendedor, que atende o principal cliente de exportação da empresa, traz um proposta de um esquema para o dono que é vender para esse distribuidor com valores abaixo de mercado e receber em dólar no país desse distribuidor, a diferença de preços. Com isso, a empresa economiza nas taxas de exportação e cria um caixa dois fora do país. Tudo bem explicado e com a justificativa que muitos fabricantes agem dessa forma com esse distribuidor. Em um ano, a empresa teria um caixa dois com milhares de dólares para gastar onde quiser, argumento o vendedor. O dono agradece ao vendedor e promete que vai pensar.


Neste momento o dono, de alguma forma, já ultrapassou o Ponto de Não Retorno. Ao dizer que vai “pensar” e não rechaçar na hora a proposta, o dono avançou no limite da reflexão ética e moral.


Juízo Ética e Moral: Do ponto de vista da moralidade, a proposta é imoral na sua gênese. Ela tripudia as leis vigentes e comente crime tributários que podem ser nefastos para empresa daqui prá frente.


Na análise ética, é claro que a empresa e dono estão sendo antiéticos. Não há justificativa, seja de qualquer ponto, para que a empresa, que nunca agiu desta forma, comece a agir. Os argumentos do vendedor de que “todos os concorrentes” agem assim é uma falácia sem tamanho. Além de demitir o vendedor de forma exemplar, o dono deveria usar essa proposta como exemplo para todos os demais colaboradores de como a empresa não quer ser.


Resumindo: O Ponto de Não Retorno no dia a dia, tanto individual como empresarial, acontece de forma mais comum que possamos imaginar. A falta de educação ética e moral nas escolas e nas empresas, criaram pessoas que, ao “ouvirem o canto da sereia” ou de verem “a grama mais verde do vizinho”, mudam suas relações com a vida em geral, comprometendo, com as consequências, todos do entorno.


Com certeza você já viu essas situações ou similares no seu cotidiano. Por vezes, ao longo da sua vida, você já ultrapassou, muitas vezes, o Ponto de Não Retorno. Os desejos acima da razão nos facilitam isso. Eu também já passei por isso e muitas vezes avancei o Ponto de Não Retorno. Todas as vezes com justificativas, que na época eram verdadeira. Hoje, pensando bem, eram apenas justificativas.


Hoje, um pouco mais maduro, penso assim, em relação ao Ponto de Não Retorno:


1 – O que estou prestes a fazer é ÉTICO, ou seja, ajuda o bem comum com viés universal? Se SIM, sigo em frente. Se NÃO, paro e reformulo a ideia antes de ultrapassar o Ponto de Não Retorno;


2 – O que estou prestes a fazer é MORAL, ou seja, está dentro dos combinados (leis, regras etc., com viés singular)? Se SIM, sigo em frente. Se NÃO, estudo do porquê da imoralidade e tento modificar as regras para se adaptar as condições.


No caso da moralidade, sabemos que ela anda atrás da ética. A moralidade se desatualiza muito rápido e precisa de revisões constantes o que não acontece. Veja o exemplo da mudança de uma lei desatualizada.


Aprendi com a vida que, muitas vezes podemos ser IMORAIS, porém nunca ANTIÉTICOS. E você o que pensa disso?


Link do texto: Ponto de Não Retorno – Parte:01 - https://www.xikoacis.com.br/post/ponto-de-não-retorno



Xiko Acis | Provocador

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